
Sou um amontoado de coisas gastas e esquecidas, como num velho baú de quinquilharias.
Sentimentos guardados, palavras não ditas, cartas não remetidas...
Dores, que pararam de doe de tão enferrujadas, como antigas tampinhas de refrigerantes...
Sou feito de sabores também! De um chocolate esquecido na mochila ou dos caramelos que uma estranha insistiu em compartilhar no metrô... Mas também do amargo sabor de ver um amigo partir pra sempre ou de ver sua esperança se levantar da mesa e caminhar pra longe...
Tenho em mim um mosaico de cores-- de um castanho tão doce quanto mel à um vermelho tão intenso que fere...
Há também uma lista de nomes, como se fossem cromos em um antigo álbum de coleção. Alguns são meus por direito, outros me foram ofertados, alguns são espólios de minhas batalhas e outros ainda, sequer me pertencem de verdade...
Sou amarelado pelo tempo, como as páginas de um velho livro de cabeceira, cuja historia teima em se repetir, mesmo já sendo conhecida...
Essa é minha sina... ser minha cornucópia avocante, jorrando ego.
Imagem:La Reproduction Interdite, - MAGRITTE, Renné
terça-feira, 12 de junho de 2007
Cornucópia
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Mário Paixão
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domingo, 10 de junho de 2007
Hiperálgico

Os dias são longos e frios...
Tanto que me fazem falar mais devagar, ora ofegante, ora receoso--
Dias (e noites) cheios de delírios, como aqueles dos dias de febre...
Aqueles que nos fazem ver coisas.
Seria até bom, se eu não fosse um tanto paranóico e tudo que eu visse não fosse apenas você indo sem nem mesmo ter chegado...
Eu quase posso vê-la nesses delírios.
Mas tudo que consigo é sentir seus lábios me tirando o fôlego enquanto te chamo:
- Dor...
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Mário Paixão
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09:20
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Mnemônico II
Minha mente me trai--
Mão me lembro das coisas como realmente aconteceram.
Me lembro que era verão, mas em minha memória, folhas sempre estão caindo.
Chovia forte, mas me lembro de uma lua enloquecedora!
Me lembro dos seus lábios, sua língua, seu sabor...
Mas sei que você nunca esteve lá...
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Mário Paixão
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quinta-feira, 24 de maio de 2007
O Surpreendente Homem-Chave
Enquanto caminhava, meditava sobre sua recém-adquirida habilidade.
Extraordinário! Não diria de outra forma. Acreditava que seu poder era realmente surpreendente, pois quem mais no mundo tinha o poder de abrir qualquer porta através de uma ligeira ordem à sua fechadura? Isso mesmo, ele falava com portas e na verdade, era capaz de convence-las a se abrir com apenas uma frase ou duas.
Porém, por seu pudor católico, não fazia muito uso de seu talento, por acreditar ser um pecado mortal invadir a privacidade alheia.
Mas não deixava de pensar o quanto seria útil se seu poder funcionasse sobre pessoas, ao invés de portas, pois é com pessoas que sempre tivera dificuldades.
Com as portas, até que se dava bem, mesmo até antes de sua nova competência.
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Mário Paixão
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Conversas I
Deu mais um trago em seu vinho do porto, e quando uma gota ameaçou correr de seus lábios, tocou-os com a ponta de sua língua, sorvendo a intrépida porção de sua bebida.
Virou-se então para mim, que continuava a tartamudear e interrompeu-me dizendo: “Não me venha com essa... A quem você pensa que engana? Você foi até lá por um só motivo e quando a coisa toda se danou, você fez o de sempre. Você é patético! É isso o que você é: Um grande tolo, patético e medroso!
E então soltou sua característica gargalhada que lembrava de fato o som produzido por um abutre.
E eu...eu nada fiz pois o que ele acabara de dizer, me machucava apenas por ser verdade.
Se havia alguém que me conhecia, era ele: Meu maldito anjo da guarda.
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Mário Paixão
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terça-feira, 22 de maio de 2007
terça-feira, 15 de maio de 2007
Os Viajantes

Segui então numa busca ingênua, porém contínua, à procura de mim mesmo...
Numa esquina, entre Dublin e a Terra Média, encontrei Deus.
Quando ele viu quem eu era ficou tão lisonjeado que me pediu um autógrafo.
“Nunca encontrei um tolo tão grande pessoalmente”- Disse ele com um sorriso amarelado pelos cigarros e cafés.
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Mário Paixão
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sábado, 12 de maio de 2007
Volcano
Vai ai galera... De agora em diante, vou variar entre videos , textos e as vezes alguns links bacanas...
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Mário Paixão
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terça-feira, 8 de maio de 2007
Trocando Amor Por Chocolate...

Bem... Acho que agora é definitivo... Estou trocando o amor por chocolates...
Chega um momento na vida que devemos simplesmente reduzir os problemas que criamos para nós mesmos...
Talvez você não concorde comigo, mas tenho minhas razões.
Já ouviu falar em “Chocolates Impossíveis”
“Chocolates Platônicos”
Alguém que “mata por chocolate”
“Chocolates a primeira vista”
“Se perder por chocolates”
Sem contar que quando um “chocolate” termina, você pode simplesmente compra outro...
O lado ruim é que não me lembro de ninguém que de ênfase ao chocolate em suas musicas ou poemas...
Ninguém faz declarações de chocolate...
Não se recorda um chocolate...
Mas (com raras exceções), ninguém sofre por chocolate, chora por chocolate... e nem se desespera ao ver seu chocolate com outro...
E quimicamente falando... são iguais as reações produzidas por eles... O amor , o chocolate e as ervilhas, que não vem ao caso pois nem gosto delas...
Mas não tenho realmente nada contra o amor... Apenas, após ponderar resolvi que melhor buscar ao chocolate...
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Mário Paixão
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17:24
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sexta-feira, 4 de maio de 2007
Mnemônico I

Tem algumas coisas que preferia ter esquecido--
Mas quando esquecer é uma escolha, o que nos restam são rasuras na mente, como grandes marcas de borracha, mostrando que o esforço de esquecer resulta no muito pensar...
O esquecer se torna uma brincadeira de esconde-esconde num quarto branco sem moveis e de paredes acolchoadas...
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Mário Paixão
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18:51
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Pensamento metediço!

Pensamento metediço!
Não te dei tais liberdades de escorreres de minha mente e tenções para em meus lábios desaguares de maneira tão inoportunamente bravia.
Fez corar assim, a mim e a moça a quem tive de dar ar de gracejo chistoso a este desvario libidinoso e fazer de ardil o ardor que sentia ao vê-la ali...
Maldito seja pensamento metediço!
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Mário Paixão
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18:47
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quinta-feira, 26 de abril de 2007
-- precipitações--

Bilhões delas vêm sobre mim e este é o único instante onde não me sinto só.
Seus toques são frios e me arrepia a pele.
É como ser abraçado por uma Deusa-Cadáver, cujos cabelos se enrolam em meu corpo enquanto dançamos freneticamente...
A maioria das pessoas não vê o quão mágico isso pode ser...
E insistem em chamar este ritual lúgubre e festivo simplesmente de Chuva!
Como se 5 letras pudessem descrever isso tudo--
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Mário Paixão
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16:29
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... enquanto isso, senhor ego...

E naquele momento eu vi o amor, com suas asas quebradas e seus olhos da cor de meu manto.
O que eu não consegui ver é que a morte se aproximava atrás de mim, e quando vi seu rosto, notei que era idêntico ao do amor, porém havia em seu olhar uma sombra, sombra essa que na hora eu soube que se tratava da mesma sombra que pairava sobre meu olhar naqueles últimos dias...
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Mário Paixão
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16:26
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Figuras de Linguagem
Sou um ser figurado... Isto é, Hipoteticamente alegórico.
Sou (simbolicamente) uma metáfora metonímica de mim mesmo.
O sujeito pelo nome...
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Mário Paixão
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16:22
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Procura-se...

Procura-se alguém do sexo feminino, idade indefinida (mas mentalidade adulta ajuda...).
Necessariamente deve ser alguém com senso de humor, mas que saiba falar a sério.
Deve rir das minhas piadas, de mim e de si mesma...
Que goste de tardes chuvosas pra ficar em casa e manhãs ensolaradas pra se ver o mundo...
Deve saber cozinhar! Nada muito sofisticado... (considera-se ferver água perícia culinária)
Impreterível que goste de música e que às vezes cante para eu dormir (ainda que desafine).
Deve gostar de si mesma mais que qualquer outra coisa no mundo, para termos algo em comum...
Deve gostar de filme, pipoca e ter almofadas no sofá...
Tem que gostar de abraço e de beijo...
Ah! Capuccino de chocolate, suco de pêssego e mousse de maracujá (não precisa gostar de tudo, um só já basta).
Deve falar palavrão sem pudor (mas somente quando necessário).
Deve gostar de livros tanto quanto de internet.
Se conhecer Almodóvar ajuda...
Se conhecer Magritte melhor...
Mas se conhecer Grant Morrisson tem vantagens maiores ainda.
Deve pelo menos alguma vez na vida ter pulado no colchão, roubado fruta, tocado a campainha e saído correndo...
Deve falar outra língua: inglês, Francês, japonês, passarinhês, cachorrês...
Deve falar com plantas... Chorar em filmes tristes...
Tem que ter medo de trovão, barata, sapo...
Pedir-me pra abrir o pote de azeitonas...
Saber falar a língua do P.
E não pode ficar “de mal”.
Não pode ter medo de ficar velhinha (mas pode mentir a idade)...
Deve gostar de ouvir “eu te amo” e às vezes dizer também...
Tem que gostar de sonhar como eu...
Deve ter um ídolo...
Um vinho favorito...
Tem que me ensinar a dançar...
Gostar de rosa e chocolate...
Deve ter um dia da semana predileto...
Saber fazer careta...
Acreditar em anjos... Gnomos... Ou qualquer coisa que valha!
E como já disseram antes, Deve saber deixar alguém te amar.
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Mário Paixão
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